Quais são os direitos de quem vive em união de facto em caso de separação?
Resposta rápida
Em caso de separação, o membro da união de facto tem direito à proteção da casa de morada de família, à partilha dos bens adquiridos em comum durante a união, e pode ter direito a alimentos se se encontrar em situação de necessidade — mas estes direitos dependem de o casal cumprir os requisitos legais da união de facto e de ter, pelo menos, 2 anos de vida em comum.
Explicação simples
Desenvolvimento
O que é a união de facto
A união de facto é a situação jurídica de duas pessoas que vivem em condições análogas às dos cônjuges há mais de 2 anos, sem serem casadas entre si (artigo 1.º da Lei n.º 7/2001, de 11 de maio, com as alterações posteriores). Abrange casais de sexo diferente e do mesmo sexo.
Bens e partilha
Na união de facto não existe comunhão de bens automática — cada membro mantém a titularidade dos seus próprios bens. Contudo, os bens adquiridos em comum (em contitularidade) são partilhados nos termos gerais do direito civil, tal como qualquer compropriedade.
Para se proteger, os conviventes podem celebrar um contrato de coabitação que regule a titularidade dos bens e as consequências da separação.
Casa de morada de família
Mesmo quando a casa pertence apenas a um dos membros, o tribunal pode atribuir ao outro o direito de habitação temporário, ponderando as circunstâncias (filhos em comum, situação económica). Se a casa for arrendada, o membro que não é arrendatário pode requerer a transmissão do arrendamento (artigo 1106.º Código Civil).
Alimentos
O membro que se encontrar em situação de necessidade pode requerer alimentos ao ex-convivente pelo período de tempo correspondente à duração da união (artigo 4.º Lei n.º 7/2001). O pedido é feito em tribunal e está sujeito a prova da necessidade.
Direitos na morte
Se um dos membros falecer, o sobrevivo tem direito a continuar a habitar a casa de morada durante 5 anos (2 anos se não houver filhos menores do casal). Tem também direito a uma pensão de sobrevivência da Segurança Social e pode herdar nos termos do Código Civil (desde a reforma de 2018, o unido de facto pode ser herdeiro legal).
O que a lei não cobre
Ao contrário do casamento, a união de facto não gera automaticamente comunhão de adquiridos nem obrigação de alimentos ilimitada. A prova da vida em comum pode ser necessária para fazer valer direitos — tendo especial importância a inscrição conjunta na morada fiscal e o reconhecimento pela Segurança Social.
O que fazer
- Provar a união de facto — conservar documentos comprovativos (contratos de arrendamento, extratos bancários conjuntos, declarações de IRS, registos de morada).
- Identificar os bens em compropriedade e os bens de cada um, para efeitos de partilha.
- Requerer ao tribunal a atribuição da casa de morada se existirem filhos menores ou situação de vulnerabilidade.
- Solicitar alimentos se se encontrar em situação de necessidade económica após a separação.
- Consultar um advogado de família para elaborar acordo de partilha e, se necessário, contrato de coabitação retroativo.
O que diz a lei
adoção de medidas de proteção das uniões de facto
transmissão do arrendamento ao membro sobrevivo ou após separação
direito a alimentos na união de facto
alterações à Lei da União de Facto (incluindo direitos sucessórios)
Passos a seguir
- 1
Provar a união de facto
- 2
Identificar os bens em compropriedade
- 3
Requerer ao tribunal a atribuição da casa de morada
- 4
Solicitar alimentos
- 5
Consultar um advogado de família
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre união de facto e casamento em Portugal?
Consulte um advogado especializado.
Como se prova a união de facto perante a Segurança Social?
Consulte um advogado especializado.
Tenho direito à casa se o meu companheiro falecer?
Consulte um advogado especializado.
Posso fazer testamento a favor do meu companheiro de facto?
Consulte um advogado especializado.
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