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ConsumoÚltima revisão de legislação em 20 de abril de 2026

Passei um cheque sem provisão — que consequências tenho?

Resposta rápida

Passar um cheque sem provisão em Portugal pode ter consequências graves, incluindo a inclusão na lista negra do Banco de Portugal com proibição de emitir cheques, responsabilidade civil de pagamento e, em casos dolosos, responsabilidade criminal.

Explicação simples

Desenvolvimento

O regime jurídico do cheque sem provisão está regulado pelo Decreto-Lei n.º 454/91, de 28 de dezembro, e pela Lei Uniforme Relativa ao Cheque (LURC). As consequências dividem-se em três planos: bancário, civil e penal.

Plano bancário — lista negra do Banco de Portugal

Quando um cheque é apresentado a pagamento e é devolvido por insuficiência de provisão, o banco sacado (onde o emitente tem conta) é obrigado a comunicar a ocorrência ao Banco de Portugal. O emitente é incluído na lista de utilizadores de cheque que oferecem risco (vulgarmente designada "lista negra"), ficando proibido de emitir cheques por um período que pode ir até 2 anos (art. 9.º DL 454/91). Todos os estabelecimentos de crédito têm acesso a esta lista e devem recusar a entrega de livros de cheques a pessoas incluídas nela.

Levantamento da inclusão na lista

A inclusão na lista negra pode ser levantada antecipadamente se o emitente regularizar todos os cheques em dívida e pagar as coimas e encargos associados. A regularização implica o pagamento do valor nominal do cheque acrescido dos juros de mora e das despesas de devolução.

Plano civil — responsabilidade pelo pagamento

O portador do cheque sem provisão pode exigir o pagamento do valor do cheque mais juros de mora e encargos através de execução judicial. O cheque devolvido por falta de provisão constitui título executivo (art. 703.º, n.º 1, alínea b), CPC), pelo que o portador pode intentar ação executiva diretamente, sem precisar de uma sentença prévia.

Plano penal — crime de emissão de cheque sem provisão

O artigo 11.º do DL 454/91 tipifica como crime a emissão dolosa de cheque sem provisão. Para que exista crime, é necessário que o emitente tenha agido com dolo, ou seja, que soubesse que não tinha provisão suficiente e que tenha emitido o cheque com intenção de prejudicar o portador. As penas previstas incluem prisão até 3 anos ou pena de multa. A responsabilidade criminal extingue-se se o emitente regularizar o pagamento antes do julgamento.

Cheques de valor elevado

Para cheques de valor superior a 150 euros, a responsabilidade criminal é mais facilmente demonstrada. Para cheques de valor inferior, a responsabilidade penal tem menor relevância prática, sendo a via civil a mais utilizada.

O que fazer

  1. Assim que souber que emitiu um cheque sem provisão, contacte imediatamente o beneficiário do cheque e procure acordo para pagamento do valor em dívida, evitando a escalada das consequências.
  2. Regularize o pagamento o mais rapidamente possível para minimizar os encargos adicionais (juros e comissões bancárias) e tentar evitar a inclusão na lista negra do Banco de Portugal.
  3. Contacte o banco para perceber se ainda é possível cobrir o cheque antes da comunicação ao Banco de Portugal.
  4. Se já estiver incluído na lista negra, pague todos os cheques em dívida e solicite ao banco a comunicação de regularização ao Banco de Portugal para levantamento da restrição.
  5. Se receber uma citação judicial ou policial, contacte imediatamente um advogado — a regularização antes do julgamento extingue a responsabilidade criminal.

O que diz a lei

Passos a seguir

    Perguntas frequentes

    Recebi um cheque sem provisão — como posso cobrar o valor?

    Consulte um advogado especializado para uma resposta personalizada ao seu caso.

    Qual o prazo de prescrição de um cheque em Portugal?

    Consulte um advogado especializado para uma resposta personalizada ao seu caso.

    Posso ser processado criminalmente por cheque sem provisão emitido há vários anos?

    Consulte um advogado especializado para uma resposta personalizada ao seu caso.

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